by Mónika
quinta-feira, 07 Maio 2009

Foi à tropa para ter emprego

Sujeitou-se à recruta e às demais especificidades da vida militar para atingir o objectivo de ingressar na faculdade e vir a fazer carreira na Força Aérea. Por enquanto, estuda e, em paralelo, dedica-se a servir altos representantes institucionais que aterram no Aeródromo de Figo Maduro. Daniela Barbosa é exemplo das mulheres que invadem os tradicionais mundos de homens em busca de novas oportunidades.
“A ideia de que a tropa é para homens já não é tão comum e as mulheres são cada vez mais”, afirma a jovem de 25 anos, acrescentando que “as Forças Armadas deixaram de ser uma obrigação e passaram a ser um trabalho como qualquer outro, embora com algumas particularidades”.
Daniela Barbosa está na Força Aérea desde 2004 e reconhece que, à semelhança do que aconteceu com ela, “muitas pessoas ingressam nas Forças Armadas para fugir à falta de emprego que se observa no nosso país”. De resto, a jovem não esconde que existe um conjunto de vantagens que também servem de chamariz para muita gente: “temos regalias em termos de saúde e transportes e a nossa remuneração nunca falta ou atrasa”.
Vida de rigor e disciplina
Para além de servir à mesa na messe do Aeródromo de Trânsito de Figo Maduro, é também responsável por receber personalidades que por ali aterram de quando em vez, nomeadamente responsáveis políticos e militares nacionais e internacionais. Entre os deveres que cumpre enquanto militar, destaca, recorrendo à gíria profissional, a obrigação de “estar sempre bem ataviada, ter a farda impecável e o cabelo bem preso”. “Uma vez por mês há formaturas acompanhadas por G3 e de seis em seis meses vamos à carreira de tiro para treinar o tiro com G3 e Walter. Como militar, tenho de estar sempre disponível, pois a qualquer hora da noite posso ser chamada para trabalhar, assim como posso ser nomeada para cerimónias”, esclarece Daniela Barbosa.
Ao trabalho que desempenha por turnos, a jovem que tem também uma irmã gémea na Força Aérea acumula ainda as aulas que frequenta à noite no Instituto Politécnico de Santarém, onde em 2007 ingressou no curso de Educação e Comunicação Multimédia. Só depois da recruta e de um ano de especialização é que veio a decisão de entrar na faculdade. Inicialmente o objectivo a que se propunha era uma questão de auto-superação. “Queria provar a mim mesma que seria capaz de passar por todo o processo de recruta”, reconhece. Agora que essa fase já vai longe e que se sente satisfeita com o ambiente de disciplina e exigência em que vive, Daniela Barbosa prossegue um outro objectivo: “quando acabar o curso, tentarei entrar para os quadros da Força Aérea, embora reconheça que é uma tarefa muito difícil”.
Classifique este artigo: PobremaufracoOkaybomexcelenteExcelente
A sua votação ajuda os outros utilizadores a medir o valor de um artigo
maufracoOkaybomexcelente

Bing - Palavras mais procuradas